segunda-feira, 27 de março de 2017

A 26 de Março de 1211, morre D. Sancho I "O Povoador"

Segundo rei de Portugal (1185-1211), filho de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda, foi cognominado "o Povoador". Nasceu em 11 de  Novembro de 1154, em Coimbra, e morreu em 26 de  Março de 1211 na mesma cidade.

A 1174 casou com D. Dulce de Aragão e sobe ao trono em  Dezembro de 1185 por morte de D. Afonso Henriques. Foi iniciado na vida militar aos 12 anos, tendo chefiado uma expedição a Cidade Rodrigo contra Fernando II que se saldou por um fracasso. Foi armado cavaleiro em 15 de  Agosto de 1170, na cidade de Coimbra, logo após o acidente de D. Afonso Henriques em Badajoz. Participou desde então no exercício do poder político, talvez devido à incapacidade física do rei. O povoamento das terras abandonadas foi uma das suas principais preocupações.

Foto do quadro da Sala dos Capelos

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017


D. Francisco de Lemos e Faria Pereira Coutinho


Freire conventual da Ordem de S. Bento de Avis, bispo de Coimbra, conde de Arganil, senhor de Coja, do conselho do rei D. João VI, reitor da Universidade de Coimbra.
Depois de estudar os preparatórios nas escolas dos jesuítas no Rio de Janeiro veio para Portugal, onde frequentou o curso de direito canónico da Universidade de Coimbra, sob a direção de seu irmão mais velho João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho, professor na mesma universidade.
Recebeu o grau de doutor em 1754. Em 1761 foi nomeado reitor do Colégio das Ordens Militares, e em concurso obteve uma cadeira de oposição, e depois de lente na universidade. 
Em 8 de maio de 1770 foi nomeado reitor da universidade. Foi depois chamado pelo governo para fazer parte da junta criada sob o nome de Providencia Literária, encarregado da reforma da universidade sob a inspeção do cardeal da Cunha e do marquês de Pombal.
A ele ficar-se-iam a dever obras tão importantes como o Museu de História Natural, o Laboratório Químico, o Jardim Botânico, a Via Latina e as salas do Paço Reitoral da Universidade, entre outras, além da transferência da Sé para a antiga igreja privativa do Colégio da Companhia de Jesus.
Por carta régia de 1772, foi nomeado reformador da Universidade, para servir este cargo juntamente com o de reitor.
Em1799 foi pela segunda vez nomeado reformador reitor da universidade, cargo que ocupou até 1821, em que foi exonerado a seu pedido.
Este segundo período da reitoria do bispo compreendeu os tempos difíceis da invasão francesa, em que se suspenderam os trabalhos escolares, e durante os quais o reitor esteve ausente em França, porque D. Francisco de Lemos foi um dos membros escolhidos pelo general Junot, em 1808, para fazer parte da deputação encarregada de ir a Baiona cumprimentar Napoleão, e pedir-lhe um rei da sua dinastia para Portugal, regressando ao reino com os seus companheiros em 1814. Foi eleito deputado ás cortes gerais e constituintes em 1821 pelo Rio de Janeiro, mas não chegou a tomar posse, e faleceu no ano seguinte. 
Fizeram-se-lhe em Coimbra sumptuosas exéquias, recitando nessa ocasião orações fúnebres os doutores frei Fortunato de S. Boaventura e o padre António José da Rocha.
Catarina Freire

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

As três primeiras senhoras da Universidade de Coimbra

Públia Hortênsia de Castro (Vila Viçosa, 1548 - Évora, 1595) foi uma das mais notáveis e célebres figuras do humanismo português.

Conta-se que se vestiu com trajos masculinos para acompanhar até Coimbra o seu irmão Jerónimo, um frade dominicano Tendo aí estudado Retórica, Humanidades e Metafísica.

Com apenas 17 anos de idade, defendeu em Évora teses de Filosofia e em 1581, na presença do rei Filipe II, defendeu teses sobre Teologia, vindo a receber, como reconhecimento do seu trabalho, uma tença anual.
Em 1574, Públia Hortênsia de Castro começa a frequentar o Paço Real de Évora e a erudita academia da infanta D. Maria.
Em 1581, resolve consagrar-se a Deus e entra no Convento do Menino Jesus da Graça, em Évora, da Ordem dos Agostinhos. Na clausura conventual faleceu em 1595, com 47 anos de idade.


Em 1894 formou-se, finalmente, a primeira mulher: Domitilla Hormizinda Miranda de Carvalho. Formou-se em Matemática. Um ano depois formou-se em Filosofia (Ciências, se diria hoje) e, em 1904, em Medicina.
Por esta altura já não estava sozinha na universidade, pois que no rondar do Séc. XIX para o Séc. XX existiam já cinco alunas.





Em 1914 forma-se em Direito Regina Quintanilha, que viria a ser a primeira advogada da Península. Tal como Domitília, também ela se forma com altas classificações.

Com apenas 17 anos, Regina Quintanilha pede a sua matrícula na Faculdade de Direito de Coimbra, a 6 de Setembro de 1910 e no dia 24 de Outubro atravessa a porta férrea da Universidade.

Terminou o curso em três anos e em 1913, com apenas 20 anos, foi convidada para reitora do recém-criado Liceu Feminino de Coimbra. Recusou, por ambicionar uma carreira que o Código Civil Português de 1867 vedava às mulheres, o exercício da advocacia.

Apesar disto, a 14 de Novembro de 1913, Regina Quintanilha recebe a autorização do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça para advogar, sendo esse o dia em que vestiu a toga dos advogados no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa.

Em Portugal, exerceu ainda, mais uma vez sendo a primeira mulher, as funções de Conservadora do Registo Predial e Notaria.




Em 1920 é fundada a primeira residência universitária feminina. Em 1926 há já uma mulher para cada 17 homens. A partir daí é sempre a acelerar.

Catarina Freire | Guia Intérprete
Maria Manuela de Portugal
 A última infanta que nasceu em Coimbra

No Paço da Universidade de Coimbra, outrora o Paço Real da Alcáçova de Coimbra, nasceram mais reis de Portugal e príncipes do que em qualquer outro Palácio real português.
Em 1527 com a peste a propagar-se por Lisboa, torna-se necessário proteger a corte e por esse motivo mudam-se para Coimbra. Tinham passado 500 anos no interior deste edifício desde que a grande alcáçova muçulmana tinha dado origem à elaboração do Paço real da alcáçova. Ao longo destes 500 anos o edifício foi sofrendo grandes alterações e D. Manuel I tinha lançado uma campanha de obras em 1507 segundo o ambicioso plano de Diogo Boitaca e era esse plano que estava em marcha quando a Infanta nasce aqui no Paço Real de Coimbra.
As obras tinham sido prosseguidas por Marques Pires, depois retomadas por Diogo de Castilho, justamente a meses da chegada da corte. A vinda da corte não é portanto inesperada, é preparada de longe, justamente por esta campanha de obras.
Quando a corte chega, o aspeto do Paço é de um estaleiro de obras que em boa parte está ainda em fase construtiva e estão justamente prontos os aposentos principais, a Capela e os aposentos reais, onde a Infanta vai nascer.
Hoje é uma sala de aulas, aquilo que resta do que foi a câmara da rainha, onde, a 15 de Outubro de 1527, veio à luz a Infanta D. Maria Manuela de Portugal.
Infanta D. Maria Manuela filha do D. João III, ao nascer, sendo a única filha viva do monarca, foi jurada Princesa Herdeira da Coroa de Portugal, titulo que manteve até 1531.
A 1543 celebrou-se o contrato de casamento de D. Maria Manuela com D. Filipe, Príncipe das Astúrias e que viria a ser o futuro Filipe II de Espanha e I de Portugal.
Faleceu a 12 de Agosto de 1545, quatro dias após ter dado à luz.
Sérgio Flores

·         Maria Manuela, Princess of Portugal and Asturias - El Prado.jpg

·         Criação: século XVI